Em 1976 se instalaria no Brasil uma fábrica de origem italiana que posteriormente se tornaria uma das primeiras nos rankings de vendas do mercado automobilístico. A FIAT começou pequena, produzindo inicialmente um simpático modelo popular de 2 portas denominado 147. O modelo e seus derivados foram pioneiros na introdução do carro à álcool no país e sofreram poucas modificações até sua retirada de cena. Logo após foram sucedidos, e, diga-se de passagem, bem sucedidos, pelos modelos da família UNO. A FIAT apesar do sucesso que vinha fazendo no decorrer dos anos não encontrava um nicho no segmento de luxo, concorrido até então por Santana, Del Rey, Opala, Monza e posteriormente Versailles, Omega e Vectra. Todo este fato somado à lacuna não preenchida, a FIAT resolve arriscar lançando o TEMPRA, moderno sedã de linhas exóticas, porém bem resolvidas, traseira alta, frente esportiva e posteriormente motores nervosos.
O ano de 1992 foi um ano marcante no segmento luxuoso dos carros nacionais. A GM apresentou o moderno e sofisticado Omega, a VW estava ainda aproveitando o recém-lançamento do novo Santana, a Ford havia apresentado a pouco o Versailles em substituição do Del Rey e a FIAT para não ficar de fora trouxe o TEMPRA. O sedã era algo inédito no mercado, com desenho único, oferecidas em duas versões, a Prata, modelo de entrada, com propulsor 2.08v, acabamento convincente e desempenho considerável, já que seu propulsor era alimentado por carburador, adotando também o catalisador para atender as normas do PROCONVE. A segunda e mais completa, série Ouro, versão top com propulsor 2.0 16v, acabamento de primeira, com detalhes imitando madeira, opção de bancos em couro, lâmpadas nas 4 portas, motor mais nervoso e um conforto exemplar.
A FIAT impressionou o público e a crítica, afinal, o que esperaríamos de uma montadora que não tinha muitas opções no mercado e que seu carro top até pouco tempo antes era um uno sedã completo. Lembro-me que o Tempra logo caiu no gosto de pessoas que até então olhavam a montadora com outros olhos, maus, para ser mais exato, e veio conquistando um público de outra fatia do mercado, e tudo isso era mais impactante por se tratar de um modelo da FIAT.
O ano de 1995 a FIAT inovou com o sedã novamente no segmento, disponibilizando apenas na versão 2 portas e com um apelo esportivo, o TEMPRA Turbo, modelo diferenciado pelas rodas exclusivas de face externas usinadas, aerofólio traseiro e internamente incluía entre os instrumentos no painel, termômetro de óleo, manômetro de superalimentação e também de óleo. O câmbio era comandado por cabos e a embreagem era hidráulica além de um acerto na suspensão, deixando o Tempra Turbo com um jeito firme e indomável. Neste mesmo ano a FIAT adotava mudanças importantes para a linha, como nova grade dianteira, painel de instrumentos modernizado, novos volantes e forros de porta e ainda para a versão de entrada, a FIAT adotava a tão esperada injeção eletrônica. No final de 1995 ela trazia ao Brasil, importada da Itália, a versão perua do Tempra, a SW. Era uma perua de desing exótico que divida opiniões, porém, vinha com novidades agregadas e até então inéditas na linha, como o painel digital opcional e air bag, o que deixou alguns consumidores com a indagação de o porquê da Fiat não implantar este acessório importante de segurança no sedã. A suspensão da perua também era a mesma do Tempra italiano, um conjunto bem resolvido que nas curvas mostrava vantagens.
O ano de 1996 a FIAT realizou no Tempra uma modificação que o deixou mais atual esteticamente. Os faróis frontais de perfil baixo com duplo refletor e as lanternas traseiras traziam uma bolha relevada localiza nas luzes de ré e direção, o carro ficou mais bem resolvido e com um ar mais moderno. A esportiva Turbo 2 portas saía de cena, dando lugar ao Stile, com a mesma mecânica, porém com 4 aportas e apelo mais luxuoso. O Tempra Stile era um dos carros mais completos do mercado, trazia itens de luxo dignos do segmento, com bancos com regulagens elétricas, ar com comando de temperatura digital, vidro com alívio de pressão interna, acabamento que além do couro preto, poderia vir na cor caramelo e retrovisor interno foto crômico. Lembro-me que um amigo meu comprou um Stile branco, que inclusive o tem até hoje, o carro é o top, ou como ele fazia questão de dizer, pacote 6, que incluía ainda uma disqueteria de mala.Era na minha opinião o Tempra mais bonito feito até hoje, o modelo Stile, que vinha precedido das versões HLX que era uma versão luxuosa porém com motor 2.0 16v, mas não deixava de lado o charme dos bancos elétricos, do computador e check-control e das lâmpadas charmosas nas 4 portas e como versão de entrada a SX, que poderia vir nas versões 2.08v e 2.016v, porém para justificar o preço mais em conta, pedia conta giros no painel, os tecidos dos forros eram mais simples e os itens exclusivos de luxo passavam longe, mas nem por isso deixou de ser um legítimo Tempra. Após dois anos, já em 1998 ele recebeu a última modificação, e a FIAT quis deixá-lo com um ar mais moderno, com pára-choques mais arredondados, maçanetas externas em forma de gota e novos logotipos. O carro ficou bonito, mas perdeu a versão turbo e deu ao público um ar de despedida, pois logo seria sucedido pelo Marea e deixaria saudade no coração dos admiradores. O Tempra marcou o mercado brasileiro, inovou com inéditas versões turbo e dezesseis válvulas e honrou com responsabilidade o motivo para o qual veio, levar a Fiat ao mercado de luxo. A Fiat por sua vez e graças ao Tempra viu que precisava de novidades na própria empresa como o segmento de luxo, acabamento até então inédito e acessórios exclusivos, mesmo frente aos carros luxuosos de outras montadoras, abrindo bons motivos para atualmente a FIAT ter avançado tanto no nível de qualidade aqui no Brasil.

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